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Relatos do Exterior

Relatos do Exterior

 

O Programa de Pós-graduação em Bioquímica tem participado ativamente do programa PDSE (Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior) da CAPES. Recentemente alunos foram desenvolver parte de suas teses em países como México, Portugal, Estados Unidos, Alemanha, todos com excelentes experiências profissionais e pessoais que contribuem muito para a internacionalização do PPGBq. Neste espaço de nossa home-page vamos estar publicando esporadicamente alguns relatos deste alunos, com o intuito de dar uma transparência maior a estas atividades e também de incentivar ainda mais a participação de nossos alunos.

 

 

Minha Experiência na Universidade Nova de Lisboa

 

Em 2013 concorri a uma bolsa PDSE-Capes e pude fazer doutorado sanduíche em Portugal durante 8 meses. O laboratório em que trabalhei foi o Genomics and Stress no Instituto de Tecnologia Química e Biológica (ITQB) da Universidade Nova de Lisboa possuindo como chefe a Professora Claudina Rodrigues Pousada, a qual lidera um grupo com ampla experiência em Biologia Molecular.

O que mais chamou a atenção no início foi a facilidade e a rapidez resolver diversas situações como conseguir local para moradia, abrir conta em banco e outras situações burocráticas. Além disso, fui muito bem recebida no laboratório e todas as pessoas foram sempre muito prestativas para ajudar e a ensinar a rotina de laboratório e as técnicas novas.

Com os dias fui verificando a grande diferença entre o Brasil e mesmo um país pequeno como Portugal. As facilidades de transporte para se locomover de um lado a outro, como poder fazer tudo de trem ou metrô. Além da segurança de se deslocar a qualquer horário do laboratório para casa, inclusive finais de semana.

Mas o que mais foi surpreendente foram as diferenças em relação a pesquisa. O acesso a materiais estéreis e prontos para uso, o que facilita a rapidez em fazer os experimentos. A rapidez que os reagentes, soluções, primers etc, chegam após a encomenda, alguns podíamos buscar no mesmo prédio e na mesma hora ter acesso. A facilidade com que podíamos usar aparelhos de outros laboratórios sem a burocracia daqui, marcávamos horário pelo site e se não houvesse ninguém utilizando no momento, podíamos usar, como por exemplo o microscópio de fluorescência ou o RT-PCR que cada um podia utilizar sozinho, sem a presença de um técnico. Assim, os experimentos eram feitos de forma mais rápida e os resultados que no Brasil são obtidos em um ou dois anos, pode-se conseguir em poucos meses.

Interessante também trabalhar em um grupo em que todos trabalham com o mesmo assunto - biologia molecular e toxicidade por metais – então podia ter a ajuda de todos em todos os aspectos.

Os seminários do laboratório eram feitos uma vez por semana e apenas um aluno apresentava seus resultados e cada um apresentava uma vez no semestre, desta forma, quando alguém apresentava, já havia resultados suficientes para praticamente uma publicação e a serem discutidos. As apresentações, assim como os seminários do departamento e suas discussões eram em inglês, o que facilitava o aprendizado da língua.

Mas acima de todo aprendizado profissional, o crescimento pessoal foi o mais importante, como aprender a lidar com as diferenças culturais, a distância e a resolver situações do dia-a‐dia em um país completamente diferente.

Foi muito bom conhecer tantas pessoas de culturas diferentes, uma vez que em um centro de pesquisa existem pessoas de diversos países; poder ter acesso a tanta história, cultura e lazer; observar diferenças sociais entre um país e outro, pois a pesar de Portugal ser um país que atualmente se encontra em crise, os investimentos nas áreas de educação e pesquisa sempre foram prioridades e, também por isso, observam-se resultados melhores e mais rápidos.

Assim, posso dizer que foi uma experiência incrível e pude aproveitar cada dia de que lá estive. Acho maravilhoso poder ter essa oportunidade na Pos-Graduação e valorizo cada aprendizado que tive.

Daiane Mazzola (estudante de doutorado do PPGBq)

 

 

Minha Experiência na Universidad Autónoma Metropolitana

 

Venho através desta, relatar minha experiência sobre a excelente oportunidade de realizar parte de meu doutorado no exterior. Sou aluno da pós-graduação da Bioquímica da UFRJ e passei por volta de 6 meses na Cidade do México trabalhando na Universidad Autónoma Metropolitana (UAM) na Planta Piloto de Fermentação Sólida sobre a orientação do professor Ernesto Favella, referência na minha área de pesquisa.

A oportunidade de ter acesso a equipamentos e técnicas as quais não teria no nosso país foi de extrema importância para a realização da minha tese de doutorado. Além disso, conviver com pesquisadores que são referências na minha área de atuação vem sendo fundamental para minha formação profissional. Em função disso, criei um vínculo com esses profissionais que pretendo levar por toda minha vida acadêmica.

Trabalho com reaproveitamento de rejeitos agroindustriais com objetivo de agregar valor a esses resíduos, utilizando-os como matéria-prima para produção de produtos de interesse industrial, como enzimas que poderão vir a ser utilizadas na formulação de um biodetergente. Essa é uma área de pesquisa essencial para nosso país, visto que nossa economia é uma das mais importantes economias baseadas na agricultura no mundo e, além disso, o país tem papel de destaque na produção de biodiesel, o que gera uma quantidade enorme de resíduos.

Escolhi esse laboratório para a realização do meu “sanduíche” por se tratar de um grupo especialista na área e, portanto, referência mundial em escalonamento de bioprocessos em fermentação em estado sólido. O que tornou possível produzir em escala maior os experimentos que vinham sendo realizados no Brasil.

Tive também a oportunidade de participar de Congressos na área durante minha estadia no México. Fui convidado a participar da “Expo Ingênio 2013”, um encontro entre pesquisadores e empresários organizado pelo IMPI (Instituo Mexicano de Patentes). Esse encontro tem como objetivo aproximar empresários e investidores privados de pesquisadores científicos. Participamos desse encontro como expositores do equipamento que utilizei para a realização dos meus experimentos. Equipamento esse, que foi desenvolvido pelo grupo e que está sobre proteção industrial do mesmo.

Acredito que esse tipo de encontro é um modelo que nossa ciência nacional devia seguir. Porque é uma alternativa para não dependermos exclusivamente de financiamento público para realização de nossas investigações.

Além de ser uma forma de dar um retorno para a sociedade do que vem sendo desenvolvido nas universidades públicas do país. Além de todos os resultados muito interessantes que obtivemos para complementação de minha tese e também todo o “know how” profissional adquirido durante minha estadia no laboratório, tive também um crescimento pessoal muito grande. Conheci uma cultura completamente diferente, além da extraordinária oportunidade de aprimorar muito meu espanhol.

 Anderson Fragoso (estudante de doutorado do PPGBq)